Marcos 10 - O caminho
Jesus caminha em direcção à morte. Ao fazer a sua última viagem da Galileia para Judeia, sabe que a sua hora se aproxima. Quando se atravessa o Jordão, vindo da margem esquerda, o território é plano. Mas ao dirigir-se para Jericó, e especialmente daqui para Jerusalém, o viajante começa a subir e depressa se vê no meio das montanhas. A caminhada torna-se desgastante, o Sol aperta e a água não é abundante.
Jesus tem vários encontros nesta "peregrinação" de onde se podem tirar algumas ideias sobre o significado, tanto da sua morte, como do Caminho dentro da ideia de discipulado. No primeiro, com os Fariseus, Jesus lança ideias como fidelidade, compromisso, ficar até ao fim. Depois vêm as crianças, entusiastas com Jesus, coração aberto, disponibilidade para aprender. Logo depois aparece o Homem Rico. A sua piedade é puramente formal e o seu coração não percebe o vazio em que está. Acha que tem o que é necessário para se salvar. Mas o Mestre fala de outras premissas. A salvação está somente nas mãos de Deus, e o tempo presente é de sacrifícios, perseguições, rejeição, humilhação e firmeza.
Não passa muito tempo até que os manos João e Tiago lhe pedem o tudo sem terem dado nada. A verdadeira glória, diz Jesus, está em esquecer-se de si mesmo, em servir sem esperar recompensa ou palmadinhas nas costas.
Já à saída de Jericó, um homem cego e mendigo estava à beira do caminho. Era considerado impuro pela Lei do seu povo e como tal sub humano. Mas via com os olhos do Espírito e a sua boca confessou a verdade fundamental. "Filho de David, tem misericórdia de mim", como quem diz: Reconheço que nada tenho, nada sou, nada mereço, por isso somente a tua misericórdia me pode valer. Deixou tudo o que tinha, e num salto de fé se chegou junto do Mestre. Foi salvo pela fé e seguiu a Jesus naquela estrada poeirenta e íngreme que levava à Cruz.

