Terça-feira, Maio 31, 2005

Não nos enganemos

A verdadeira teologia é funcional, tem que ser. Se a teologia não estiver sustentada por uma prática vivencial que seja o resultado dela mesma, então não passa de uma grande treta.
É como quem diz: "live it or leave it!

Fobia...

O meu maior medo é que um dia eu me torne impermeável à acção do Espírito Santo, de tal forma que deixe de ouvir a sua voz. Se isso algum dia acontecer, serei o mais desgraçado de todos os homens...

"...A minha graça te basta..."

Terça-feira, Maio 24, 2005

Vá-se lá saber porquê

Uma das coisas que mais me intriga em Deus é a sua vontade inabalável de procurar pessoas que se juntem a Ele e à sua agenda. E ainda mais me espanta o facto de Ele procurar pessoas anónimas, frágeis, vulneráveis e que muitas vezes representam o oposto daquilo que Ele próprio projecta como sendo a pessoa ideal. É, sem dúvida, um bom quebra cabeças. Certa vez, um bom amigo desabafou comigo dizendo: " Sou uma porcaria...", ao que lhe respondi, quase instintivamente: "Pois, mas és uma porcaria que Deus curte". Aqui residirá - com um pouco de humor - não a resposta em totalidade à questão, mas um bom ponto de partida. A escolha não recai em méritos pessoais de qualquer ordem, mas porque podemos ser recipientes do próprio Deus e veículos da sua mensagem. Somente! Ainda assim, não deixo de me espantar....



"Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência de poder seja de Deus e não de nós..."

2 Coríntios 4:7

Quinta-feira, Maio 12, 2005

Um povo iludido

«Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo.»
Isaías 5:20

Esta passagem traz à luz a validade e urgência do acto profético: Desfazer a camada de hipocrisia com a qual o povo de Deus se vai revestindo. Não será esse um dos grandes obstáculos da Igreja no presente? Não discernir entre bem e mal? Ou negamos que grande parte da Igreja vive nesta duplicidade de lealdades? Como diz um amigo meu, e bem, hoje vive-se o tempo do Hedonismo Cristão. Uma espécie de esquizofrenia em que o crente abre janelas na espiritualidade, onde prevarica à vontade, pois nesse espaço os conceitos de bem e mal estão diluídos. Ao profeta cabe acordar-nos deste marasmo espiritual, trazendo-nos de volta a importância da santidade.

Faço uma chamada de atenção. Não me isento desta crítica, aliás, quem o poderá fazer?

Quarta-feira, Maio 11, 2005

Reforma na Igreja I

É tempo da Igreja começar a ouvir Deus. É tempo de deixar que os profetas cheguem à frente e revelem o coração de Deus. É tempo de choro e arrependimento.

Marcha por Jesus II

O último post foi tão bem sucedido que nem tinha vontade de voltar a escrever...É interessante notar que temos tanto para dizer e discutir e por vezes estes temas ficam por debaixo do pano. Mas enfim, não vou aqui responder a toda a gente que comentou sobre o tema, contudo, gostaria que alguns voltassem a ler o post com alguma atenção. Eu estou apenas a chamar àtenção para as nossas motivações e para questão da nossa realidade evangélica dentro da sociedade portuguesa. A questão pode ser argumentada de muitas formas. É óbvio que Deus pode agir de qualquer maneira, mesmo - e levando isto ao absurdo - com o tipo que se atira da Ponte 25 de Abril com uma faixa a dizer Jesus. Mas será que precisamos de uma Marcha por Jesus? Ou de uma Marcha por nós? Activismo ou Discipulado? Forma ou conteúdo?
Alguém me pergunta se já participei numa Marcha. Já! A minha primeira Marcha foi em 1988 em Glasgow na Escócia, por ocasião do Congresso Mundial da Juventude Baptista, liderada pela pessoa que as inventou. Creio que posso falar com alguma propriedade. Analisemos os contextos e as finalidades. Mas já agora, para os que forem, prestem atenção às caras das pessoas que vos observam do lado de fora...

Sábado, Maio 07, 2005

Marcha por Jesus igual ao Gay Parade?

Não se assustem meus caros leitores. Não se trata de uma neoblasfémia, é apenas uma pequena provocação intelectual. Tenho uma resistência natural ao conceito subjacente a eventos como a Marcha por Jesus ou o Dia do Evangélico. Creio que a comunidade evangélica passa a si mesma um atestado de minoridade ao se expôr ao ridículo de querer mostrar em 1000 metros de avenida e duas horas de exposição pública tudo o que o Cristianismo envolve. Se o objectivo é convencer alguém da validade das nossas propostas então façamo-lo pessoalmente com quem nos conhece, pois Cristo não é um conceito abstrato escrito num placar de papelão, Ele revela-se na sua Igreja espalhada por onde quer que haja gente disposta a espelhar a sua vontade.
Se o objectivo é o reconhecimento público então outro erro ocorre. O de querer forçar a aceitação. Não estarão os evangélicos a procurar o mesmo que os gays? O reconhecimento da sociedade? Um: Hello! Nós existimos? Os valores do Reino serão sempre subversivos em relação ao pensamento dominante da sociedade e acredito que funcionam melhor se não estiverem exposto ao ridículo dos cartazes em punho, esvaziados de conteúdo.
Se o objectivo é defender a fé, então façam-no nos empregos e nas escolas onde estão sozinhos e sujeitos a todo o tipo de pressões. É mais fácil assumir a fé no meio da maralha, onde se passa despercebido e Jesus não precisa de defensores.
Mas pronto, aceito que haja quem se sinta bem neste tipo de manifestação, e como já disse, este post é apenas uma pequena provocação. Até porque se não formos nós a falar nisto, a imprensa portuguesa não o fará, como demostraram os eventos anteriores. Até dia 14.

Quinta-feira, Maio 05, 2005

Sempre acompanhados

Duas das premissas essenciais do Cristianismo assentam no facto de que Deus é transcendente e imanente. Ele habita uma esfera existencial completamente desconhecida e inacessível para o homem, mas, ao mesmo tempo, também está presente e activo no mundo que criou. Esta semana fui despertado para um versículo excelente que realça o segundo aspecto, talvez o mais difícil de ser interiorizado. Isaías 52: 6 diz:

"Por isso o meu povo saberá o meu nome; portanto, naquele dia, saberá que sou eu quem fala: Eis-me aqui"

Deus não é só o "Eu sou" de Êxodo 3, mas também o "Eis-me aqui", próximo dos seus filhos, acompanhando-os, ajudando-os na sua peregrinação terrena. Ao contrário do que Nietzsche propôs, Deus não está morto, nem é um ser vago, distante, impossível de encetar relacionamentos pessoais e profundos. Como dizia o outro: Vale a pena pensar nisto...