Sexta-feira, Março 24, 2006

Ainda sobre as denominações

Constato que é assunto que levanta muitas camadas de poeira. Quem sabe por ser uma das grandes feridas por sarar da comunidade evangélica em Portugal. Será que a "pacificação" e a "cura" de marcas do passado em termos de denominações magoadas é o primeiro passo para um verdadeiro avivamento da nossa nação?
Mas adiante. Alguns de vós que por aqui passam ainda manifestam dúvidas sobre a questão de "fé puramente bíblica" que citei num post anterior. É certo que o "puramente" deixa no ar uma certa noção de vida religiosa de perfeição absoluta, mas não é a isso que me quero referir quando uso esta expressão. Tem a ver com a forma reproduzimos o padrão bíblico de Igreja. Encontramos, ou não, na Bíblia um padrão de vivencial da fé, de adoração, de carácter cristão, de vida comunitária que agrade a Deus? Que seja mesmo idealizado por Ele?
Eu acredito que sim. Os israelitas sabiam bem o que fazer se queriam ter o agrado de Deus. Jesus também deixou bem claro as características dos cidadãos do Reino. As cartas paulinas e os outros registos do Novo Testamento também apontam indicações nesse sentido. O problema é que nós começamos rapidamente a construir em cima da norma, colocando os tijolos da nossa própria cosmovisão, daquilo que mais nos convém, dos ventos da cultura em que vivemos. E correndo o risco de me tornar repetitivo reitero: As denominações e as igrejas valem enquanto reflectem, ou se esforçam por reflectir os padrões do Reino. Quando começam a variar para assuntos de interesse puramente especulativo ou centrado em si mesmo, já eram, ou como diz um professor meu, "Já acabou! Vai plantar batata...".O que foi a Reforma senão um insurgimento contra isto de que vos falo?
A fé puramente bíblica é um desafio constante, aliciante e exigente, que nos impulsiona e requer de nós o melhor que temos para dar, bem como nos força a um exame permanente dos quês e porquês de ser Igreja. Finalizo com as bem conhecidas palavras de Paulo aos Romanos: "...não se conformem com este mundo, mas transformem-se pela renovação do vosso entendimento, para que venham a experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus".

Terça-feira, Março 21, 2006

O eterno problema da falta de visão

"Então lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei?
Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.
Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade?"
João 18:37

Sábado, Março 18, 2006

Pedro...amas-me?

A pergunta incomoda, assusta, confronta, ainda para mais vinda de onde vem. Mas é necessária e pertinente. A questão é: Não estaria Pedro a dar como garantido o seu amor a Cristo? Jesus foi suficientemente insistente com Pedro até ao ponto de forçá-lo a uma introspecção profunda das suas motivações e actos. Pedro estava agora "transparente" na presença do Mestre. Fica claro que, para Cristo, as promessas de "fico contigo até à morte" e orelhas cortadas não são suficientes. O "sabes que te amo" deve ser uma forma de vida, um estilo cultivado e enraízado dentro do ser. E porque a ilusão é um perigo sempre presente, nada como deixar que a pergunta ressoe de tempos a tempos. E tu...amas-me?



João, capítulo 21

Quarta-feira, Março 08, 2006

Ando a meditar nisto

Great

I have always wanted to be
Somebody who is great
I want to be great

To be great in
Great in your eyes is my dream
To be the one who makes
You smile is everything

To love my enemies
To serve others
and to become the least
become the least

To be real and genuine in my
Love for others and for You
Is to be great

Ten Shekel Shirt - Much

Segunda-feira, Março 06, 2006

... ( 2 )

Confesso que não esperava tantas reacções a um post de um blog de expressão reduzida como o meu. Talvez por essa razão volte a escrever sobre o assunto, até porque creio que a pergunta que formulei não foi correctamente interpretada por alguns dos amigos e comentadores.
Em primeiro lugar é preciso dizer que, pessoalmente, não tenho nada contra denominações. Sou baptista desde sempre, nunca o negarei, tenho orgulho de onde venho e onde estou. Mas lembro: As denominações existem, e em particular a minha, como resposta a uma crescente acomodação espiritual dos movimentos onde se insiriam; no caso dos baptistas, o anglicanismo. E é preciso lembrar também que muitos desses movimentos de ruptura ficaram "marcados" como radiciais ou extremistas, sendo expulsos dos países onde nasceram ou até mesmo "atirados" para colónias ultramarinas. Portanto, a ideia - que não expus mas concordo - de um certo incorformismo ou busca de perfeição encontra aceitação em algumas tradições denominacionais, mesmo que tal não seja visível nos dias de hoje.
Mas não me quero desviar do tema mais importante. De facto, o meu problema não é com denominações mas, sim, com mentalidades. Com pessoas que, tendo vivido sempre debaixo do chapéu da instituição, não conseguem validar a expressão de fé de outros que nunca lá estiveram...bem, se pensarmos com seriedade, nem sequer validam com honestidade as outras denominações com que se associam em certos organismos. Critíco a atitude "espiritualmente xenófoba" de se olhar de lado para quem "não pensa e vive a fé da mesma forma que eu". É isso que eu questiono e critíco no post anterior, a ideia peregrina que esta ou aquela denominação é mais "pura" que as restantes. E faço aqui um acto de contricção: foi necessário algum tempo e determinadas experiências para que eu mesmo evoluisse nesse sentido. Tenho aprendido que não posso, nem devo, julgar a caminhada de fé dos outros à luz da minha experiência e background eclesiológico. Isso compete apenas a Deus. Aliás, faço-o ciente das limitações desse mesmo background. Não tenho, nem nunca tive intenções de criar denominações ou seja lá o que for. O que Deus quer de mim é compromisso, integridade e amor. É nisso que vou investir. E em pessoas, espero.