Ainda sobre as denominações
Constato que é assunto que levanta muitas camadas de poeira. Quem sabe por ser uma das grandes feridas por sarar da comunidade evangélica em Portugal. Será que a "pacificação" e a "cura" de marcas do passado em termos de denominações magoadas é o primeiro passo para um verdadeiro avivamento da nossa nação?
Mas adiante. Alguns de vós que por aqui passam ainda manifestam dúvidas sobre a questão de "fé puramente bíblica" que citei num post anterior. É certo que o "puramente" deixa no ar uma certa noção de vida religiosa de perfeição absoluta, mas não é a isso que me quero referir quando uso esta expressão. Tem a ver com a forma reproduzimos o padrão bíblico de Igreja. Encontramos, ou não, na Bíblia um padrão de vivencial da fé, de adoração, de carácter cristão, de vida comunitária que agrade a Deus? Que seja mesmo idealizado por Ele?
Eu acredito que sim. Os israelitas sabiam bem o que fazer se queriam ter o agrado de Deus. Jesus também deixou bem claro as características dos cidadãos do Reino. As cartas paulinas e os outros registos do Novo Testamento também apontam indicações nesse sentido. O problema é que nós começamos rapidamente a construir em cima da norma, colocando os tijolos da nossa própria cosmovisão, daquilo que mais nos convém, dos ventos da cultura em que vivemos. E correndo o risco de me tornar repetitivo reitero: As denominações e as igrejas valem enquanto reflectem, ou se esforçam por reflectir os padrões do Reino. Quando começam a variar para assuntos de interesse puramente especulativo ou centrado em si mesmo, já eram, ou como diz um professor meu, "Já acabou! Vai plantar batata...".O que foi a Reforma senão um insurgimento contra isto de que vos falo?
A fé puramente bíblica é um desafio constante, aliciante e exigente, que nos impulsiona e requer de nós o melhor que temos para dar, bem como nos força a um exame permanente dos quês e porquês de ser Igreja. Finalizo com as bem conhecidas palavras de Paulo aos Romanos: "...não se conformem com este mundo, mas transformem-se pela renovação do vosso entendimento, para que venham a experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus".

